Oi tempo...
Acho que essa é a qüinquagésima carta que já escrevo para você, mas talvez perceba, que pelo meu desanimado oi, as coisas não estão tão bem assim.
Quantas vezes não pedi para que me desse um tempo, mas percebo que foi totalmente em vão. Eu queria que as noites durassem mais, gostaria de poder, com esse calor, passar horas no meu quintal, embaixo da minha pitangueira, conversando com meus pais. Eles estão envelhecendo, e parece que a velhice deles é proporcional à minha falta de tempo ao lado deles.
Queria, sabe poxa... poder acordar e tomar um café digno de ser humano, é, de ser humano. Fazer meu pão na chapa, bater uma vitamina e sentar por alguns minutos [estou pedindo minutos] lendo o jornal. Mas ao contrário, acordo com um susto, corro até a porta com uma maçã na mão e saio comendo enquanto me atrapalho entre mordê-la e segurar a direção do carro no meio de tanta gente sem tempo suficiente para dar-me licença.
Ai tempo... percebo que você anda rápido demais. Há um tempo atrás, tão pequeno tempo, eu tinha apenas 15 anos, ainda estava tentando dar meu primeiro beijo, me apaixonar, pensava na profissão de médica, gostava de escutar Backstreet Boys. [pois é, até eu me envergonho disso] Mas eu era uma menina, aprendendo a viver da maneira mais atrapalhada e confusa que se pode crescer, ai, então, nessas minhas indecisões, você resolveu soprar forte, forte demais e eu cai aqui, em 2009, com namorado de 11 anos, planejando casamento, com um carro precisando ir para o conserto, uma mãe e um pai que precisam de mim, e que vejo cada vez mais se distanciarem, um corpo que já tão cedo, pede arrego. Ai tempo, assim não vai dar não, preciso que você pare, me deixe em paz.
Pare por alguns segundos, para que eu possa me olhar no espelho. Se possível, adoraria que parasse por um dia inteiro, para poder rolar com minha cachorra pela grama como fazia quando ela era pequena. Queria talvez uma semana, para poder ir comprar legumes e frutas no interior, como fazia com minha avó antes dela partir. Eu ia ser tão feliz, se pudesse ter algumas horas para contemplar meus amigos comendo minha comida e sorrindo – adoro esse misto de hummms com gargalhadas. Queria poder viajar com meu namorado, sinto falta dele.
Além do mais tempo, queria ter mais de você para que eu pudesse decidir, sim, eu adoraria decidir a velocidade com que você deveria passar. Em dias ruins, como o de hoje, queria que você passasse rápido, quase voando, em um lampejo. Ou então, queria que chegasse bem rápido o Natal para poder comer o pudim de leite condensado da minha mãe. Queria que você tivesse passado lento quando meu vô ainda pintava, e como eu quis que você passasse correndo quando ele se foi e a dor em perdê-lo durou tanto tempo.
Não sei não tempo, mas tenho duvidado da nossa relação. Acredito que o melhor é nos separarmos, mas entendo que esses laços são quase que impossíveis de serem partidos. Portanto tempo, acho melhor pensarmos em uma melhor maneira para sermos felizes, um ao lado do outro. Mas para isso, acho que precisamos dar um tempo.
Adeus.
Acho que essa é a qüinquagésima carta que já escrevo para você, mas talvez perceba, que pelo meu desanimado oi, as coisas não estão tão bem assim.
Quantas vezes não pedi para que me desse um tempo, mas percebo que foi totalmente em vão. Eu queria que as noites durassem mais, gostaria de poder, com esse calor, passar horas no meu quintal, embaixo da minha pitangueira, conversando com meus pais. Eles estão envelhecendo, e parece que a velhice deles é proporcional à minha falta de tempo ao lado deles.
Queria, sabe poxa... poder acordar e tomar um café digno de ser humano, é, de ser humano. Fazer meu pão na chapa, bater uma vitamina e sentar por alguns minutos [estou pedindo minutos] lendo o jornal. Mas ao contrário, acordo com um susto, corro até a porta com uma maçã na mão e saio comendo enquanto me atrapalho entre mordê-la e segurar a direção do carro no meio de tanta gente sem tempo suficiente para dar-me licença.
Ai tempo... percebo que você anda rápido demais. Há um tempo atrás, tão pequeno tempo, eu tinha apenas 15 anos, ainda estava tentando dar meu primeiro beijo, me apaixonar, pensava na profissão de médica, gostava de escutar Backstreet Boys. [pois é, até eu me envergonho disso] Mas eu era uma menina, aprendendo a viver da maneira mais atrapalhada e confusa que se pode crescer, ai, então, nessas minhas indecisões, você resolveu soprar forte, forte demais e eu cai aqui, em 2009, com namorado de 11 anos, planejando casamento, com um carro precisando ir para o conserto, uma mãe e um pai que precisam de mim, e que vejo cada vez mais se distanciarem, um corpo que já tão cedo, pede arrego. Ai tempo, assim não vai dar não, preciso que você pare, me deixe em paz.
Pare por alguns segundos, para que eu possa me olhar no espelho. Se possível, adoraria que parasse por um dia inteiro, para poder rolar com minha cachorra pela grama como fazia quando ela era pequena. Queria talvez uma semana, para poder ir comprar legumes e frutas no interior, como fazia com minha avó antes dela partir. Eu ia ser tão feliz, se pudesse ter algumas horas para contemplar meus amigos comendo minha comida e sorrindo – adoro esse misto de hummms com gargalhadas. Queria poder viajar com meu namorado, sinto falta dele.
Além do mais tempo, queria ter mais de você para que eu pudesse decidir, sim, eu adoraria decidir a velocidade com que você deveria passar. Em dias ruins, como o de hoje, queria que você passasse rápido, quase voando, em um lampejo. Ou então, queria que chegasse bem rápido o Natal para poder comer o pudim de leite condensado da minha mãe. Queria que você tivesse passado lento quando meu vô ainda pintava, e como eu quis que você passasse correndo quando ele se foi e a dor em perdê-lo durou tanto tempo.
Não sei não tempo, mas tenho duvidado da nossa relação. Acredito que o melhor é nos separarmos, mas entendo que esses laços são quase que impossíveis de serem partidos. Portanto tempo, acho melhor pensarmos em uma melhor maneira para sermos felizes, um ao lado do outro. Mas para isso, acho que precisamos dar um tempo.
Adeus.




