18.11.09

para todo momento, tempo

Oi tempo...

Acho que essa é a qüinquagésima carta que já escrevo para você, mas talvez perceba, que pelo meu desanimado oi, as coisas não estão tão bem assim.

Quantas vezes não pedi para que me desse um tempo, mas percebo que foi totalmente em vão. Eu queria que as noites durassem mais, gostaria de poder, com esse calor, passar horas no meu quintal, embaixo da minha pitangueira, conversando com meus pais. Eles estão envelhecendo, e parece que a velhice deles é proporcional à minha falta de tempo ao lado deles.

Queria, sabe poxa... poder acordar e tomar um café digno de ser humano, é, de ser humano. Fazer meu pão na chapa, bater uma vitamina e sentar por alguns minutos [estou pedindo minutos] lendo o jornal. Mas ao contrário, acordo com um susto, corro até a porta com uma maçã na mão e saio comendo enquanto me atrapalho entre mordê-la e segurar a direção do carro no meio de tanta gente sem tempo suficiente para dar-me licença.

Ai tempo... percebo que você anda rápido demais. Há um tempo atrás, tão pequeno tempo, eu tinha apenas 15 anos, ainda estava tentando dar meu primeiro beijo, me apaixonar, pensava na profissão de médica, gostava de escutar Backstreet Boys. [pois é, até eu me envergonho disso] Mas eu era uma menina, aprendendo a viver da maneira mais atrapalhada e confusa que se pode crescer, ai, então, nessas minhas indecisões, você resolveu soprar forte, forte demais e eu cai aqui, em 2009, com namorado de 11 anos, planejando casamento, com um carro precisando ir para o conserto, uma mãe e um pai que precisam de mim, e que vejo cada vez mais se distanciarem, um corpo que já tão cedo, pede arrego. Ai tempo, assim não vai dar não, preciso que você pare, me deixe em paz.

Pare por alguns segundos, para que eu possa me olhar no espelho. Se possível, adoraria que parasse por um dia inteiro, para poder rolar com minha cachorra pela grama como fazia quando ela era pequena. Queria talvez uma semana, para poder ir comprar legumes e frutas no interior, como fazia com minha avó antes dela partir. Eu ia ser tão feliz, se pudesse ter algumas horas para contemplar meus amigos comendo minha comida e sorrindo – adoro esse misto de hummms com gargalhadas. Queria poder viajar com meu namorado, sinto falta dele.

Além do mais tempo, queria ter mais de você para que eu pudesse decidir, sim, eu adoraria decidir a velocidade com que você deveria passar. Em dias ruins, como o de hoje, queria que você passasse rápido, quase voando, em um lampejo. Ou então, queria que chegasse bem rápido o Natal para poder comer o pudim de leite condensado da minha mãe. Queria que você tivesse passado lento quando meu vô ainda pintava, e como eu quis que você passasse correndo quando ele se foi e a dor em perdê-lo durou tanto tempo.

Não sei não tempo, mas tenho duvidado da nossa relação. Acredito que o melhor é nos separarmos, mas entendo que esses laços são quase que impossíveis de serem partidos. Portanto tempo, acho melhor pensarmos em uma melhor maneira para sermos felizes, um ao lado do outro. Mas para isso, acho que precisamos dar um tempo.

Adeus.

8.11.09

Demais

Depois de um bom tempo dizendo que eu era a mulher da vida dele, um belo dia eu recebo um e-mail dizendo: "olha, não dá mais".

Tá certo que a gente tava quase se matando e que o namoro já tinha acabado mesmo, mas não se termina nenhuma história de amor (e eu ainda o amava muito) com um e-mail, não é mesmo?

Liguei pra tentar conversar e terminar tudo decentemente e ele respondeu: "mas agora eu to comendo um lanche com amigos".

Enfim, fiquei pra morrer algumas semanas até que decidi que precisava ser uma mulher melhor para ele. Quem sabe eu ficando mais bonita, mais equilibrada ou mais inteligente, ele não volta pra mim?

Foi assim que me matriculei simultaneamente numa academia de ginástica, num centro budista e em um curso de cinema. Nos meses que se seguiram eu me tornei dos seres mais malhados, calmos, espiritualizados e cinéfilos do planeta. E sabe o que aconteceu? Nada, absolutamente nada, ele continuou não lembrando que eu existia.
Aí achei que isso não podia ficar assim, de jeito nenhum, eu precisava ser ainda melhor pra ele, sim, ele tinha que voltar pra mim de qualquer jeito.

Decidi ser uma mulher mais feliz, afinal, quando você é feliz com você mesma, você não põe toda a sua felicidade no outro e tudo fica mais leve.

Pra isso, larguei de vez a propaganda, que eu não suportava mais, e resolvi me empenhar na carreira de escritora, participei de vários livros, terminei meu próprio livro, ganhei novas colunas em revistas, quintupliquei o número de leitores do meu site e nada aconteceu.

Mas eu sou taurina com ascendente em áries, lua em gêmeos filha única! Eu não desisto fácil assim de um amor, e então resolvi tinha que ser uma super ultra mulher para ele, só assim ele voltaria pra mim.

Foi então que passei 35 dias na Europa, exclusivamente em minha companhia, conhecendo lugares geniais, controlando meu pânico em estar sozinha e longe de casa, me tornando mais culta e vivida. Voltei de viagem e tchân, tchân, tchân, tchân: nem sinal de vida.

Comecei um documentário com um grande amigo, aprendi a fazer strip, cortei meu cabelo 145 vezes, aumentei a terapia, li mais uns 30 livros, ajudei os pobres, rezei pra Santo Antonio umas 1.000 vezes, torrei no sol, fiz milhares de cursos de roteiro, astrologia e história, aprendi a nadar, me apaixonei por praia, comprei todas as roupas mais lindas de Paris.

Como última cartada para ser a melhor mulher do planeta, eu resolvi ir morar sozinha.

Aluguei um apartamento charmoso, decorei tudo brilhantemente, chamei amigos para a inauguração, servi bom vinho e comidinhas feitas, claro, por mim, que também finalmente aprendi a cozinhar.

Resultado disso tudo: silêncio absoluto.

O tempo passou, eu continuei acordando e indo dormir todos os dias querendo ser mais feliz para ele, mais bonita para ele, mais mulher para ele.

Até que algo sensacional aconteceu. Um belo dia eu acordei tão bonita, tão feliz, tão realizada, tão mulher, que eu acabei me tornando mulher demais para ele.
Ele quem mesmo?

Martha Medeiros


"Não podemos esperar que outra pessoa nos preencha ou nos complete. Sozinhas, somos as responsáveis por nossa Paz de espírito e nossa realização, seja ela pessoal ou profissional."

[Marian Keyes]

2.10.09

Si tu no vuelves...





é preciso ver além do que os olhos enxergam... isso é regra de vida, para todos.

4.9.09

é tarde

“ 'A vida tem um sentido que os adultos conhecem' é a mentira universal em que todo mundo é obrigado a acreditar. Quando, na idade adulta, compreende-se que é mentira, é tarde demais."

Estou adorando o livro " A Elegância do Ouriço", da Muriel Barbery. Impressionantemente bom!

23.8.09

meditando


"Porque você não pode voltar atrás no que vê. Você pode se recusar a ver, o tempo que quiser: até o fim de sua maldita vida, você pode recusar, sem necessidade de rever seus mitos ou movimentar-se de seu lugarzinho confortável. Mas a partir do momento em que você vê, mesmo involuntariamente, você está perdido: as coisas não voltarão a ser mais as mesmas e você próprio já não será o mesmo."



[Caio]

10.8.09

reinvente-se

Oras me transbordo de felicidade, um sentimento que mal cabe dentro de mim e invade a vida de todos que me olham. Felicidade é um sentimento que quando chega, vai logo embora... tudo isso porque precisamos nos reinventar sempre, se bobear, quase que diariamente.

Criar é a potência do desconcertamento, se nossa felicidade está estabelecida não existe invenção. Então é necessário que ocorra o esvaziamento para depois termos o transbordamento... encher, esvaziar e criar. Como uma retroalimentação, deixando de lado a meia dúzia de merrequas que achamos que precisamos para termos a tal estabilidade que ninguém tem, e é infeliz porque não sabe aproveitar o triste logo depois do bom... sentimento de crescimento manja?!? O cérebro só funciona no caos generalizado, porém controlado na aceitação: eu estou feliz... eu estou triste, eu estou p... da vida, mas eu sinto e sei que estou assim e porquê estou assim, ponto!

Ninguém é feliz com os mesmos amigos de sempre [faça novos todos os dias], os mesmos valores e a mesma vida sem emoção – mesmice gera depressão, limitação, finito...acabou! Isso impede a invenção, a criatividade, a criação de tudo que é subjetivo e não existe, em um mundo que aparentemente [mas só aparentemente] já existe de tudo.

7.8.09

Ah Clarice...

Sou um quase tudo.

Nasci para amar os outros, nasci para escrever talvez, e talvez ainda tenha nascido para criar os filhos que ainda não tive. Talvez assim resolva minhas crises de não saber ainda pra que vim ao mundo.

Tudo tem que ser estupidamente intenso, mas quase sempre isso assusta os que amo, e no fim, me chamam de maluca. Pedem-me pouco, pedem-me quase nada. O terrível é que eu tenho muito para dar e tenho que engolir esse muito e ainda por cima dizer com delicadeza: obrigada por receberem de mim um pouquinho de mim. Mas por favor, sou uma louca ensandecida para dar... dar... dar! Precisem de mim...

Que ninguém se engane: só se consegue a simplicidade através de muito trabalho. Muito!

E se um dia você me conhecer de verdade, e se me achar esquisita,respeite. Até eu fui obrigada a me respeitar.

[Clarice Lispector na paráfrase]